Os Miseráveis | A Revolução Cantada

Em um contexto cheio de militância e levante dos movimentos sociais, Os Miseráveis traz uma mescla de histórias cotidianas em um ambiente de luta.

Sempre presente no cinema, o musical é um gênero consolidado que arranca suspiro de uns e impaciência de outros. Sem dúvida nenhuma é um grande gênero com muitos e muitos fãs. A série Musiculturando irá trazer análises de filmes musicais e entender sua representatividade na cultura do cinema e na cultura da sociedade, indo muito além de rimas e ritmos, ela irá apresentar obras de arte com uma história para contar.

Filme: Os Miseráveis
Gênero: Drama/Romance/Musical
Ano: 2012
Duração: 2h e 40m

 

 


Antes de analisarmos o filme é importante inserir o contexto histórico em que ele se passa: A França do século 19 passava por um período conturbado, mais precisamente entre A batalha de Waterloo e a Revolução de Julho conhecida como “As três gloriosas” que culminou com a queda de Carlos X junto com a Restauração Francesa, movimentos civis que desencadearam grandes revoluções por toda a Europa, conhecidas como as Revoluções de 1830. Certo, o filme se passa em um momento de ascensão dos movimentos civis pela luta de direitos iguais, porém ele não se resume somente a isso.


O filme conta a história de Jean Valjean (Hugh Jackman) um homem condenado à escravidão após roubar pão para alimentar o sobrinho. Seus conflitos com o Inspetor Javert (Russell Crowe) durante o período fez com que ao conseguir sua liberdade, ela fosse manchada com a sentença de ser um homem de alto risco de periculosidade.

Jean encontra diversas dificuldades para se reintegrar a sociedade, o levando a tomar a decisão de se tornar uma nova pessoa e se redimir dos erros passados.


Jean se vê em um novo momento 8 anos depois, melhor estruturado física e mentalmente ele agora é o prefeito de Montreal. E quando ele se Reencontra com Javert temos o desenrolar de todo o filme.

O filme toma pra si a perseguição de Javert em busca de Jean como uma questão pessoal e não de direito. Os encontros trazem sempre bons diálogos assim como medo e insegurança da parte de Jean que zela por manter sua vida como um cidadão francês com carinho de seu povo.

Em dado momento é nos apresentada Fantine (Anne Hathaway), que carrega um peso parecido com o de Jean, ela trabalha para sustentar o abrigo de sua filha Cosette (Isabelle Allen). No momento em que Fantine perde seu emprego você sente que o clima do filme muda, saímos da Ascenção de Jean e entramos na agonizante decadência de Fantine, que nos rende momentos de brilho de atuação por parte de Anne Hathaway e algumas lagrimas juntas com eles.

QUE MULHERÃO DA PORRA!

Ok, já se recompôs depois dessa cena? Vamos continuar então!

Fantine está quase em seus minutos finais quando Jean decide a ajudar, a partir daí inicia uma história de amor, não tão banal de amor a primeira vista ou sem base, é uma amor de carinho de aconchego de saber que pode contar com a pessoa. Pois bem, Jean se dispõe a ajuda-la cuidando de sua filha Cosette tornando-a uma filha.

Passado mais 9 anos, Jean se encontra em Paris junto com Cosette (Agora interpretada por Amanda Seyfried) se escondendo de qualquer alarde que possa chamar atenção da polícia e principalmente de Javert. Em um passeio pela cidade Cosette troca olhares com Marius (Eddie Redmayne) um jovem revolucionário e cheio de sonhos.

Esse seja talvez o ponto fraco do filme, o amor instantâneo vivido por Cosette e Marius, lembra aquele amor jovem a flor da pele, sem explicação, somente o desejo misturado com admiração ao melhor estilo Shakespeare. Porém a história de amor dos jovens é responsável por todo o clímax e finalização do filme.

 


Marius é um dos líderes do movimento da jovem elite liberal francesa (Les Amis de L’ABC) junto ao amigo Enjolras (Aaron Tveit) e comandam o inicio da revolta das revoluções de Julho logo após o falecimento do General Lamarque.


Neste momento o filme consegue trazer todo o nacionalismo francês e a necessidade de mudança, talvez um dos pontos mais apaixonantes do filme é exatamente a cena que inicia a revolta, partindo da invasão na marcha, passando pelos confrontos com o exercito e pelos becos da cidade enfeitados com bandeiras da França. As imagens em tom sépia são realmente lindas e conseguem transmitir toda a essência da revolução em uma sequencia de cenas.

O filme se encaminha para o final com um grande dilema para Jean que começa a afrontar suas inseguranças, se tornando um homem sábio e de bom coração seguindo para o fim de sua vida.

O filme do começo ao filme brinca com os planos de filmagem do inicio ao fim, sempre viajando entre o close bem fechado (a ponto de sentir a respiração do personagem) e planos bem abertos com lindas e grandiosas paisagens urbanas e também da natureza.

Vale destacar também a atuação de Helena Bonham Carter como Madame Thénardier e de Sacha Baron Cohen como Monsieur Thénardier que servem de um sútil e ótimo alívio cômico, entrando nos momentos certos para tirar o peso do drama e para ligar pontos importantes do filme.

O Filme foi indicado em 8 categorias no Oscar de 2013 vencendo em 3 delas: Melhor Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway), Melhor mixagem de som e melhor maquiagem.

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Bonus:

Confere a performance do elenco no Oscar de 2013:

Notas dos críticos:

IMDb: 7,6/10 | Rotten Tomatoes: 6.9/10 – Publico: 79% aprovação e Critica: 69% aprovação

Rodrigo Mota

Rodrigo Mota

Um cinéfilo que cursa Publicidade e Propaganda e é extremamente viciado em Pop! Funkos.