Olga: Uma história que não pode ser esquecida

E nessa semana de patriotismo, trago para você a história de uma mulher que com sua vontade de ferro foi imbatível, uma mulher inspiradora por sua força, inteligência e determinação.

Olga é um filme baseado em fatos reais, mostra a vida de Olga Benário uma militante alemã. O filme é dirigido por Jayme Monjardim e tem no elenco ícones como Camila Morgado e Caco Ciocler.

O filme trata de uma forma muito sensível e tocante o ódio e a fome de poder, em um tempo em que o nazismo ganhava força e a ditadura imperava, vemos como algumas coisas não mudaram, como no caso do pensamento sobre a supremacia branca, que contrasta de forma assustadora com o ódio nos dias atuais via protestos em Charlottesville, pessoas importantes ao redor do mundo apoiando e odiando as diferenças dos outros, essa fagulha de ódio sem motivo, a gana de poder e a corrupção dos mais poderosos, o filme conta uma história que não deve ser esquecida.

Olga foi uma mulher forte e que não teve medo de lutar pelo o que acreditava ser certo, podemos ver isso logo no começo do filme quando ela está em um protesto e não tem medo quando os nazistas chegam, ela os enfrenta, também enfrenta seus pais que buscam dissuadi-la de suas ideias revolucionarias. Olga vinha de uma família rica, seu pai era um advogado e sua mãe uma dama da alta sociedade, seu destino era ser uma dama e ser servida, não enfrentar de cabeça erguida todos em prol de um bem maior.

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Logo após resgatar seu companheiro Otton Braun que estava prestes a ser condenado em Berlim por traição, o partido oferece para ela a missão de escoltar para o Brasil Luís Carlos Prestes, eles embarcam fingindo ser marido e mulher, só que Olga não contava em se apaixonar por Carlos e é ai que o filme se aprofunda nessa relação, nos mostra a interação dos dois ao longo da viagem de uma forma sensível e tocante, ao longo do caminho é mostrado a intensidade do ódio contra os judeus e como isso estava se desencadeando naquela época conturbada, em um dos momentos da viagem, Olga pergunta: “De onde vem tanto ódio?” E essa não é uma pergunta que também atinge os nossos dias?

A atuação da Camila Morgado e de Caco Ciocler é impecável, você sente aquele elo do destino, você imagina como deve ter sido para Olga e Carlos se encontrarem, com seus propósitos tão iguais e suas vontades de ferro por um lugar melhor e pelo fim do ódio gratuito.
A missão já não é mais simplesmente escoltar um revolucionário e esperar a próxima missão, é ficar e ajudar na revolução do Brasil, para derrubar Getúlio Vargas, esse ato depois seria considerado como Intentona Comunista.

Muito bonita a história, até parece um conto de fadas com tudo para ter um final feliz, uma daquelas histórias que o amor vence, que os mocinhos conseguem salvar a pátria e trazer direitos iguais para todos, só que nãmmm. Não é assim, por mais que Olga e Carlos tivessem tudo para fazer sua revolução funcionar, eles foram derrotados.
Olga foi separada do seu amado, ambos foram presos e a cena em que eles são separados é uma das mais tocantes do filme, é algo que não deixa você piscar, que sensibiliza e abala, aquela seria a última vez que Olga e Carlos se encontrariam.

Em uma tentativa de não ser deportada, Olga revela que está grávida em uma tentativa de pedir asilo político por ser casada e grávida de Prestes, mas, no filme fica claro que Vargas era simpatizante da ditadura de Adolf Hittler e, como uma vingança pessoal contra Prestes, ordena a deportação de Olga para Alemanha, que estava no auge das forças nazista. Mesmo com a mãe de Prestes fazendo diversas campanhas e mobilizando instituições internacionais em favor de Olga e seu filho, Vargas conseguiu sua deportação para Alemanha e foi lá que deu luz à uma menina que nomeou de Anita Leocádia, em homenagem a D. Leocádia mãe Prestes, Olga conseguiu ficar com sua filha até não conseguir mais amamentar a criança, que foi entregue para sua avó paterna, um fato que Olga só veio saber no final de sua vida. Mesmo que Prestes tenha conseguido anistia e tenha sido liberto, Olga não teve a mesma sorte, após anos no campo de concentração, ela foi executada brutalmente em uma câmara de gás com outras 200 pessoas.

Ps: Do fundo do meu coração, não vou dar detalhes dessa parte, foi muito difícil de assistir, é muito emocionante, a dor passada pela atriz é algo que faz os olhos transbordarem, ver sua magreza, os cabelos raspados e imaginar como foi para a real Olga é tocante demais. Então, assistam, esse é o meu mais sincero conselho, vejam o passado e a história de ódio, se inspirem na vontade de ferro de uma mulher revolucionária.

E deixo com vocês uma coisa que encontrei enquanto pesquisava sobre mulherão que foi a Olga.
Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas… Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijos, pela última vez .”

Se já assistiu este filme que é uma das principais obras do cinema brasileiro, comente como Olga influenciou na sua visão de mundo e não esquece de seguir o Crítica Criativa no Instagram e no Facebook! 🙂

Hela

Hela

Primeira de seu nome, senhora do caos e das víboras, princesinha da casa Martell, próxima escritora de novelas mexicanas, mais de libra que de câncer, ama tudo que é estranho e peculiar. Se fosse uma das meninas superpoderosas seria docinho. Obcecada por Lana Del Rey, playlist da bad e as crônicas de gelo e fogo.