Meu, Black Mirror está morto!

Esperamos tanto tempo por uma nova temporada de Black Mirror e ela chegou, mas não do jeito que esperávamos. A série sempre retratou o resultado sombrio de possíveis novas tecnologias em um futuro nada distante e, nessa nova temporada, o que parece é que eles estavam com preguiça de pensar e deram uma viajada fazendo seis episódios meio de qualquer jeito.

O que a gente sabe é que sempre que uma série ou filme fica super hypado, a possibilidade dele ser continuado apenas por $ é grande. Eu realmente não imaginava que isso poderia acontecer com Black Mirror, mas parece que chegamos nisso. =(

A 4ª temporada da série tem episódios fraquíssimos, com tecnologias já mostradas em eps passados e alguns eps tão arrastados que você não tem nem vontade de assistir até o final. É o caso de Metalhead e Crocodile.

Metalhead é um episódio todo em preto e branco que se passa em um futuro distópico onde o mundo parece estar acabado porque os humanos estão sendo caçados por cachorros robôs. Sim, é sério. Ah, o diretor é o David Slave, aquele que dirigiu A Saga Crepúsculo: Eclipse. Isso explica bastante coisa. rs

Crocodile tem aquela mesma tecnologia de poder entrar na cabeça da pessoa e ver o que ela fez/viu e fala sobre uma arquiteta que cometeu um crime quando era jovem e precisa destruir todas as pontas soltas para não ser descoberta. Bem mais ou menos e até tem um final meio cruel demais.

USS Callister é aquele ep que faz referência a Star Trek e que a maioria das pessoas diz que é o melhor episódio dessa temporada. Eu, sinceramente, achei bem fraco. Os cenários, figurino, fotografia é tudo bem bonitinho, mas o enredo é fraco e não se aprofunda muito nos personagens. É tudo meio corrido pra dar tempo de mostrar tudo que eles queriam, sabe? A ideia é bem legal, mas achei que foi mal explorada.

Arkangel tinha tudo pra ser incrível, mas é só médio. Retrata o relacionamento abusivo entre mãe e filha (massa, esse assunto quase não é abordado, ponto pra eles) quando a mãe instala um chip na cabeça da criança em que, através de um tablet, ela pode controlar a saúde da filha, bloquear imagens perturbadoras, ver o que ela vê e até ser avisada se a garota consumir drogas, por exemplo. Seria incrível se eles não tivessem explorado o lado que menos importava: as relações sexuais e o consumo de drogas. Com certeza eles conseguiriam fazer melhor que isso.

Meus dois preferidos (mas que nem são tão bons assim) são Hang The DJ e Black Museum. Eu não queria odiar e ser hater dessa temporada inteira, hahaha.

Hang The DJ é o San Junipero dessa temporada. Os casais são enclausurados em um lugar e um sistema escolhe pares perfeitos para eles, na real, é um grande Tinder. Eles precisam passar por vários relacionamentos errados até o sistema escolher o par perfeito pra eles, que tem 99,8% de chance dar certo. Ah, eles também conseguem ver o tempo de duração daquele relacionamento no primeiro encontro. O final não é surpreendente, mas a química entre o casal e todo o contexto do episódio é bem legal, vale ver, mas não PRECISA ver.

Black Museum é o último episódio da temporada e é um grande museu de Black Mirror mesmo. Uma garota encontra esse museu no meio da estrada e ele reúne todas as tecnologias já mostradas na série. O dono do museu vai explicando pra ela algumas daquelas coisas expostas ali e o final, na minha opinião, é bem surpreendente. O cara conta três histórias pra ela e todas não tem muita ligação uma com a outra, a impressão que dá é que eles não conseguiriam transformar aquelas histórias em um único episódio e aí inventaram esse com todas juntas em narrações curtas. rs Mesma coisa de Hang The DJ, vale ver, mas não precisa.

Em resumo, fiquei decepcionada com os seis episódios e é triste que Black Mirror tenha se tornado o que se tornou. Infelizmente, se tornou apenas mais uma criação preguiçosa e nada preocupada em te surpreender. Aquela série que a gente tinha indicado aqui pra vocês e que era de explodir a cabeça está morta.

Ingrid Mamolli

Ingrid Mamolli

Mais uma que caiu no conto do publicitário bem sucedido, apaixonada por séries, filmes e tudo relacionado à internet!