A importância da representatividade feminina nos filmes e séries!

Não é novidade pra ninguém que a desigualdade de gênero e de raça é um grande problema que sempre atingiu e ainda atinge toda a sociedade, incluindo a indústria do entretenimento, que é sobre o que vamos falar hoje.

Todos os anos o Sindicato de Diretores dos Estados Unidos analisa mais de 4 mil episódios de séries da tv aberta, fechada e da internet pra ver qual a porcentagem de etnia e gênero são contratados para dirigir séries. No relatório de 2015-2016, a porcentagem de mulheres diretoras foi de 17%, sendo 14% só mulheres brancas. As minorias étnicas (homens e mulheres) dirigiram 19% de todos os episódios, ou seja, 783 episódios.

Além disso, o Sindicato também faz uma lista com as “piores séries”, ou seja, as que contratam mulheres ou minorias para dirigir pelo menos 15% dos episódios e as “melhores séries”, as que contratam mulheres e minorias para dirigir pelo menos 40% dos episódios. Na lista das piores, temos algumas que se repetem sempre como: Gotham, It’s Always Sunny In Philadelphia, Marvel’s Daredevil, Marco Polo e etc. Na lista das melhores, algumas séries continuam se mantendo firme todos os anos como: American Crime, Suits, The Middle, Modern Family, Homeland, Pretty Little Liars, Girls, etc. Poucas séries fizeram melhorias pra sair da lista dos piores, essas foram Marvel’s Agent Carter, Sleepy Hollow e KC Undercover.

Falando um pouco sobre quem está na frente das câmeras, é possível perceber que a representatividade da mulher na TV, em geral, sempre está atrelada a um homem. Quando a mulher consegue ser uma protagonista que foge dos padrões, sempre dão um jeito de colocar um homem na história, o que da a impressão de que “ela consegue, mas não sozinha”. Isso quando não colocam a mulher pra ser a amante, pra ser rival de outra mulher, pra ser a personagem principal que se perde quando se apaixona ou a que tenta mudar o cara cafajeste, pra ser a burra, etc. Um exemplo bem bobo é Jogos Vorazes, o que tinha tudo pra ser um filme com uma personagem super forte, empoderada, destemida, virou um lenga-lenga pra ver com quem Katniss ia ficar no final: Peeta ou Gale. Sério?

A coisa fica ainda mais feia quando a gente pensa no cenário da mulher negra que geralmente fica com os personagens secundários, muitas vezes como empregada, babá, pobre, mal arrumada, mãe solteira e todo aquele esteriótipo que a gente já conhece e que me dá calafrio só de lembrar. Esse tipo de representatividade é muito prejudicial pro empoderamento feminino. Se as mulheres não se enxergam em protagonistas fortes, independentes, poderosas e corajosas, como elas vão acreditar que podem ser tudo isso?

Pra muita gente isso pode parecer idiota ou desnecessário, mas querendo ou não as pessoas são influenciadas por tudo que consomem e no entretenimento não é diferente. É extremamente importante que as mulheres se enxerguem nos personagens, que se inspirem em mulheres incríveis e iguais a elas, e não só no esteriótipo “branca, magra, rica” que a gente sempre vê nas séries e nos filmes. Até porque essa é a verdadeira minoria.

Ter mulheres representadas na TV não é só enfiar um monte de mulher lá pra cumprir uma cota e fazer todo mundo calar a boca. Coloque a mulher lá, dê um papel importante pra ela e faça com que ela conte uma história de verdade, que tenha participação de verdade e que não seja só mais um objeto na cena. Tem que fugir dos esteriótipos, tem que representar todo tipo de mulher, seja ela branca, negra, trans, lésbica, gorda, magra ou como for. Todas merecem se sentir retratadas naquela determinada história.

Claro que é muito importante que todas as conquistas sejam comemoradas, mas não basta só colocar mulher como protagonista e achar que tudo bem. Dê a ela a chance de mudar esses conceitos pré-formados, de empoderar outras mulheres, de inspirar outras mulheres com a sua força e independência. Dê a chance a uma mulher que seja diferente, que agregue coisas novas e que mostre coisas nunca antes vistas.

Eu sei que com pequenos passos vamos alcançando tudo o que queremos e percebo que eles já estão sendo dados, assim como no Emmy de 2015, quando, depois de 65 edições, Viola Davis foi a primeira mulher negra a ganhar como melhor atriz de série dramática com How To Get Away With Murder e em seu discurso, ela disse: “A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa são as oportunidades.”. Vamos cobrar essas oportunidades. Chega de aceitar os esteriótipos e achar que é normal não se ver representada em determinada posição. Podemos ser tudo o que quisermos ser, sem restrições!

Bora tentar mudar esse mundão! Tenho certeza que de pouquinho em pouquinho a gente chega lá e quando eles forem ver, já estamos ocupando mais do que 40%. Força, mulherada! Tamo juntas! 😉

 

 

Ingrid Mamolli

Ingrid Mamolli

Mais uma que caiu no conto do publicitário bem sucedido, apaixonada por séries, filmes e tudo relacionado à internet!