Crítica – Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

 

Dane DeHaan interpreta Valerian, um agente intergaláctico que ao lado de sua parceira Laureline (Cara Delevingne), luta para manter a paz e a ordem na galáxia. Durante uma missão a dupla acaba descobrindo que a nave Alpha, local onde convivem em harmonia milhares de seres humanos e alienígenas das mais diversas espécies, está sob uma misteriosa ameaça.

Essa é premissa do mais recente projeto do cineasta francês Luc Besson, diretor que tem em seu currículo bons filmes como O Profissional (Léon – 1994) e O 5º Elemento (The Fifth Element – 1997).

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é baseado no quadrinho francês da década de 60 Valérian et Laureline, de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, obra importantíssima para o gênero da ficção científica que influenciou filmes como Star Wars e o próprio 5º Elemento.

O diretor é um fã declarado do quadrinho e amigo pessoal de seus criadores, razão pela qual acreditou tanto no projeto. Estima-se que o estúdio investiu mais de 200 milhões de dólares na produção do longa, o que garantiu ao filme o título de produção mais cara já produzida na França.

Todo esse investimento pode ser notado na qualidade da computação gráfica. Não são nem de longe os melhores efeitos visuais dos últimos tempos, mas o excesso de CGI não chega a incomodar e é até convincente.

No geral, visualmente o filme é muito bonito. As cores enchem a tela e transformam o espetáculo visual em uma experiência que, por incrível que pareça, vale a pena ser conferida em 3D.

Besson não tem medo de arriscar e parece bastante a vontade para brincar com as possibilidades. O filme é muito criativo e apresenta algumas ideias bem diferentes que tornam as cenas de ação (principalmente a sequência inicial do filme) um de seus pontos fortes. Mas infelizmente o diretor não conseguiu repetir o feito de alguns de seus trabalhos anteriores e acaba cometendo erros que fazem com que as pouco mais de duas horas de filme sejam dolorosas de assistir.

Enquanto assistia Valerian não conseguia deixar de pensar em filmes como o Destino de Júpiter dos irmãos Wachowski e até mesmo o episódio I de Star Wars pela semelhança dos erros cometidos.

Assim como nos exemplo citados temos aqui como principal problema um roteiro que é uma verdadeira bagunça.

Os diálogos são extremamente mal escritos e infantis, o roteiro ignora completamente a presença de outros personagens que simplesmente não tem desenvolvimento algum, estão ali apenas para interagir com os protagonistas, a história é rasa e possui algumas side quests que não tem nenhuma conexão com a trama, servindo apenas para preencher o tempo de filme, o filme foca excessivamente no casal que não tem química alguma, perde muito tempo explicando repetidas vezes a história menosprezando a inteligência do público, tem um desfecho muito ruim que não recompensa quem acompanhou a jornada até ali… Olha o framboesa de ouro aí gente!

Talvez esse monte de erros não ficasse tão evidente se pudéssemos contar com boas atuações, mas advinhem só…  Ninguém pode ser destacado positivamente nesse quesito, com exceção talvez da breve aparição de Ethan Hawke que com poucos minutos em cena parece estar mais a vontade do que o restante do elenco.

Dane DeHaan está péssimo. Não me lembro de ter visto um trabalho pior do ator. Ele se esforça demais, mas não consegue convencer nenhum pouco no papel de “malandro galanteador”. É uma versão afetada de Han Solo.

Por incrível que pareça Cara Delevingne consegue entregar uma atuação um pouco melhor que a de seu companheiro de cena, mas por pouco, por muito pouco mesmo (quase empate de zero)!

A Rihanna também faz uma pequena participação no papel de Bubble. Ela não chega a ser ruim e seu personagem tem até uma habilidade interessante, mas é outro que é pouco aproveitado e tem um desfecho bem tosco.

Os erros de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas aniquilaram qualquer chance que eu poderia ter de gostar do filme. Mas existe uma pequena (nano) chance de que isso não aconteça com você.
Tudo vai depender da sua habilidade de ignorar o roteiro fraco e as atuações idem e apenas curtir a viagem visual de Luc Besson.

 

Crítica – Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Valerian e a Cidade Dos Mil Planetas tem uma linda "embalagem" para um produto não tão bom assim.Nós fomos conferir com exclusividade o filme e contamos para você todas as impressões que tivemos do longa.

Publicado por Crítica Criativa em Quinta-feira, 10 de agosto de 2017

 

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Houari Morais

Houari Morais

Sou um cinéfilo declarado, nerd de carteirinha, amante da comunicação e eterno curioso. Carrego comigo a grande responsabilidade de ser, muito provavelmente, o único “Houari” que você conhecerá em sua vida. Por isso faço o máximo para ser o melhor “Houari” possível.