Crítica: DESAFIO INFINITO

Na tentativa de atender aos desígnios de sua amada senhora, a Morte, Thanos traça um grandioso estratagema para subjugar as misteriosas entidades cósmicas conhecidas como Anciões e se apoderar das seis joias do infinito, artefatos que detêm o controle sobre todos os aspectos do universo. Ao reuni-las, o titã louco torna-se o ser mais poderoso do Universo Marvel. Com tamanho poder em mãos, Thanos extingue metade da vida no universo apenas para agradar sua adorada musa. E isso é só o começo. Se não for detido logo, o insano vilão niilista pode usar sua recém-adquirida onipotência para causar o fim do todo o espaço e o tempo.

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Publicado em 1991, essa saga cósmica revolucionou a Casa das Idéias e foi um sucesso inesperado para a editora. Escrito pelo espetacular Jim Starlin (conhecido criador do Thanos) e com arte feita pelos mestres George Pérez (artista de Crise nas Infinitas Terras) e Ron Lim (notório desenhista do Surfista Prateado). Essa saga é subsequente do arco ‘‘Thanos Em Busca do Poder’’ publicado no ano anterior, no qual o titã louco embarca em uma cruzada atrás das joias do infinito e ganhar poder absoluto para tornar realidade o infame pedido da senhora Morte, a qual ele tanto ama.

Nossa história começa com Thanos já em posse do poder absoluto das seis joias, e com Mephisto como seu conselheiro, literalmente um diabo no ombro. A trama é muito esperta em unir o cósmico ao místico, dando uma uniformidade metafísica ao universo como um todo. Os Vingadores, os X-Men, os Novos Guerreiros e muitos mais se juntam na batalha, liderados pelo messiânico Adam Warlock, contra o vilão onipotente, todavia, o roteiro usa algumas facetas para se livrar de alguns heróis, e não tem muita explicação na história para os que foram escolhidos para participar e para os que não foram, parece bem aleatório.

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A arte do George Pérez é incrível nessa obra, é uma arte que consegue ser detalhista, sem ser muito minimalista. Ela consegue transmitir o que é necessário, com muita elegância, mas sem se preocupar com cada instância do que está sendo desenhado. George Pérez é um artista que sabe que não precisa fazer cada fiozinho do cadarço de uma bota para que a bota se pareça com uma bota, por exemplo. É uma arte objetiva e direta. Ron Lim entrega uma arte mais suja, com um nanquim mais forte e com um nível de detalhe incrível para revista de linha. Lim demonstra, durante a minissérie, alguns layouts de páginas mais inventivos do que os de Pérez, que costuma fazer layouts bem simplórios em sua concepção. Ron Lim tem um traço levemente diferente, mas que não é melhor ou pior por isso, é apenas diferente. Ambos artistas se esforçaram para não variar muito no traço, e tal objetivo se mostrou magistralmente concluído, ao ponto que um leitor despreparado pode pensar que a minissérie foi desenhada por um único artista.

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A trama sofre com a época em que foi publicada, haja vista que o status quo de muitos personagens estavam alterados e tiveram que ser integrados e adaptados à um roteiro que passa a sensação de requerer os personagens na “essência” deles, ou seja, na versão que eles são mais conhecidos, pelo menos. Isso acontece com o Hulk, que apesar de estar em sua versão mais inteligente, é usado apenas como força de destruição na batalha. Similar ao que ocorre com Quasar, que precisou ser reintroduzido para participar (apesar de não fazer nada). O Thor é um caso afetado também, pois o personagem que aparece na saga não é o filho de Odin, porém isso não é abordado em favor da simplicidade. Os X-Men sofreram muito com isso, porque era um período conturbado na publicação dos mutantes, e a equipe estava dividida em azul e dourada, poucos X-Men participaram. Resumindo, é uma ótima história que não foi publicada na época certa. Felizmente, o roteiro consegue contornar e ignorar alguns desses problemas e a história segue sem problemas.

Imagem relacionadaO elenco de entidades cósmicas que participam na saga é muito rico e interessante de se acompanhar. Starlin fraciona conceitos oníricos em entidades físicas com muito estilo. Apesar dos níveis de poder em contraste serem meio nebulosos por não poderem ser quantificados, a arte é energética e suprime a necessidade de explicações mais aprofundadas. Afinal, HQs são uma mídia visual e deve ser tratada como tal.

A resolução final para a ameaça do Thanos é um pouco besta, mas funciona no momento pela emoção que a cena evoca, todavia, a explicação subsequente dada por Adam Warlock acaba com o glamour da vitória. A resolução é um pouco mais poética do que o padrão da minissérie, como é característico do Warlock. Isso não afeta a história negativamente, mas destoa um pouco. Desafio Infinito é a prova de que Jim Starlin é mestre em lidar com a temática espacial na mídia de quadrinhos. Esse é um gibi muito divertido, com proporções épicas e muita criatividade.

DICA DO REDATOR: Se você se interessou pela HQ, deixo a indicação de leitura de Thanos: Em Busca do Poder (o preludio de Desafio Infinito), Guerra Infinita e Cruzada Infinita (as sequencias dessa saga).

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Vitor Antunes

Vitor Antunes

Aficionado de longa data por gibis, ufólogo nas horas vagas, técnico em química quase formado, apreciador de palavras díficeis.