Crítica: Como Nossos Pais

Como você trata sua mãe? Como você a vê? Você se acha uma boa filha? Você se sente realizada? Você culpa alguém pelo o que você é? Você se sente presa pelo medo do julgamento? Esses são alguns dos questionamentos do filme Como Nossos Pais.

São tantas questões, reflexões, tanto a se discutir, é incrível o que a Laís Bodanzky, diretora e roteirista em parceria com o também roteirista, Luiz Bolognesi (ambos premiados com o filme Bicho de Sete Cabeças), te fazem sentir em seu mais novo filme, Como Nossos Pais, que estreia dia 31 de agosto aqui no Brasil. O longa é uma produção da Gullane e da Buriti Filmes em coprodução com a Globo Filmes e com distribuição da Imovision. Ele estreou no Festival de Berlim deste ano (foi exibido na Mostra Panorama) e ganhou prêmio do público no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, e mais seis Kikitos, no Festival de Cinema de Gramado.

O filme aborda de uma maneira sutil, diversos assuntos do nosso cotidiano que faz com que nos aproximemos muito de todo o enredo. Nele podemos ver um pouco do retrato da mulher contemporânea, a simplicidade de um almoço em família, conflitos entre pais e filhos, problemas profissionais, até mesmo paradigmas sociais são colocados em questão.

A apresentação dos personagens também é leve, em poucos minutos você se conecta a todos. Rosa (Maria Ribeiro), a nossa protagonista, é uma redatora num emprego que não é o que ambicionava para a vida, casada com Dado (Paulo Vilhena), um antropólogo que vive em viagens a trabalho e ausente nas responsabilidades domésticas, mãe de duas pré adolescentes, Nara (Sophia Valverde) e Juju (Annalara Prates), e filha de um casal divorciado, o pai, Homero (Jorge Mautner), sempre visto como o herói e bom pra ela, enquanto a mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), é a mulher que mimava e preferia o irmão José Carlos (Cazé Peçanha), não importava o que fizesse de bom, a mãe nunca reconhecia o esforço e suas realizações, sempre a colocando para baixo.

Em uma dessas discussões com a mãe é onde tudo muda na vida de Rosa, e então decide dar um basta em tudo. Ela não só vai atrás do auto conhecimento como também do reconhecimento que acredita merecer pela mulher que é e tudo que faz, ela quer realizar os sonhos que havia sacrificado em prol da família. O filme tem sido ovacionado em todas suas exibições. Com sua sutileza e temas abordados que estão em evidência hoje em dia, é um ótima escolha para assistir nos cinemas.

O que vemos no filme podemos observar em muitas famílias do nosso dia a dia. Infelizmente, muitas mulheres deixam de realizar sonhos por se sentirem na obrigação de ser a mãe, a esposa, a dona de casa, e outros diversos títulos que são impostos a elas, fora os sentimentos somados de culpa de que, se não conseguirem cuidar da família, acabam sendo taxadas como uma mãe chata, dura, preguiçosa, e se ainda decidem ser radicais indo contra essa imposição, são vistas como mães desnaturadas, loucas por quererem largar tudo, e na coletiva de imprensa pudemos debater todos esses assuntos e os parabenizar por tal obra, por conseguirem transparecer tudo para a tela e para nós.

Muitas das dificuldades que as mulheres sofrem são causadas pelos vestígios de uma sociedade ainda machista e opressora e, como disse no começo do texto, são diversas as abordagens de temas que vivenciamos e que o filme engloba sendo elas muito bem posicionadas em cada cena.

Sinceramente, como homem, não me sinto no direito de falar pelo o que as mulheres passam em nossa sociedade, apenas torço para que tudo melhore e que não haja mais discriminação tanto com mulheres, ou qualquer gênero, opção sexual e cor, muitas pessoas lutam pela igualdade e espero que com esse filme possamos refletir mais sobre o que somos e onde queremos chegar.

COMO NOSSOS PAIS, é definitivamente um filme obrigatório para todos, é uma forma de mostrar que a sociedade precisa mudar. É inteligente e gera questionamentos, nos fazendo refletir e se você se permitir, ele te faz crescer como ser humano.

Veja abaixo o trailer oficial desse grande filme, siga o Crítica Criativa no InstagramTwitter e curta nossa página no Facebook

 

Renan Rodrigues

Renan Rodrigues

Um redator, que tem mais games do que consegue jogar, viciado em seriados e que gosta de cozinhar. Fã de Dragon Ball, o melhor anime de todos.